Desde o ano passado o atleta brasileiro Bruno Sousa, que iniciou a carreira no Macau Esporte Clube, está jogando no clube holandês Hattemse Mixed Hockey Club. Clube este que leva o nome de sua cidade, situada a cerca de 110km de Amsterdam. Bruno falou ao Sprint Hockey sobre sua chegada ao clube, a adaptação ao clima local, e os treinamentos. Confira!
| Bruno conduz a bola em jogo contra o HCM |
SH: Desde sua chegada na Holanda, como tem sido o clima local durante os treinos e partidas?
Bruno: É muito frio. Quando cheguei, a máxima temperatura na qual joguei foi 21 graus, e todo o time teve problemas com o calor. Após a temperatura foi caindo e a máxima só chegava em 8 graus. Quando treinamos à noite, a temperatura varia entre 3 e 0 graus. Usamos uma roupa térmica para manter o corpo aquecido durante o jogo.
SH: Qual o modelo adotado da liga holandesa, e em que posição está o seu clube?
Bruno: Na Holanda, o sistema de divisões é diferente do usado no Brasil. Lá, começa-se pela classe Top, chamada de Hofdklasse, depois passa para a classe de acesso para a Top, conhecida como Overgangsklasse e para a primeira classe, a Eerste Klasse, aonde estou jogando. Existem ainda classes abaixo da primeira classe. Nosso time está na sexta posição do ranking. É um campeonato de pontos corridos e os quatro primeiros avançam ao playoff para subir para a divisão de acesso a Top. No começo jogava como defensor, mas todos treinam para atuar em todas as posições. É preciso que o time seja versátil, todos entram e saem durante os 70 minutos de jogo. Logo o time fica com onze coringas em campo, que se revezam.
SH: Como é a divulgação do Hóquei sobre Grama na imprensa holandesa?
Bruno: As três primeiras classes são bastante divulgadas. O site Hockey.nl traz muita informação destas e alguns jogos são transmitidos na íntegra. Em todos os finais de semana, são reproduzidos os melhores momentos. Na parte impressa, semanalmente são publicadas matérias. O Hockey Weekly traz algumas matérias diferentes, como quadrinhos do Tio Patinhas mas falando de Hóquei, é bem legal.
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| O escudo do Hattem |
SH: Como funciona o calendário de competições por lá?
Bruno: O campeonato fica parado entre dezembro e fevereiro, devido a neve, e nesse período ocorre o campeonato indoor. Estou retornando à Holanda no dia 28 de janeiro, depois de minhas férias no Brasil, para me juntar ao clube para a pré-temporada, o que ocorrerá na metade de fevereiro, onde serão disputados 6 amistosos contra equipes da mesma classe e também da classe acima. No dia 10 de março, retomamos a competição, e teremos 9 partidas oficiais pela liga.
SH: Como tem sido sua comunicação com as pessoas?
Bruno: Por enquanto meu porto seguro é o Inglês, mas procuro sempre aprender o Holandês e usá-lo quando puder. Planejo ficar na Holanda por mais um tempo, e um dos objetivos é atingir a fluência no idioma.
SH: Em entrevista à ESPN você disse que participava de competições de Surfe. Você ainda pratica o esporte?
Bruno: Minha vontade é grande de surfar, é uma das paixões da minha vida. Agora o tempo é escasso e na Holanda, por conta do clima, não é possível surfar. Ainda não fui à praia de lá, fica a uma hora e meia da minha casa. Agora que estou de férias no Brasil, pretendo voltar a surfar no Guarujá antes de retornar à Europa, já que faz quase um ano que não surfo.
SH: Você acredita que a Hockey India League pode alterar o cenário do Hóquei sobre Grama no mundo, visto o modelo que usaram?
Bruno: Acredito que sim. Ela pode passar uma estrutura diferente para a liga holandesa, por exemplo, que contrata profissionais, mas não tem o profissionalismo da Índia. É uma liga que tem tudo para crescer, mesmo com apenas cinco times nesta primeira edição. Será algo lindo de ver, definitivamente.
Logo em sua primeira partida pelo Hattem, Bruno foi autor do gol da equipe, diante do Groningen, atual líder da competição. Lance este que você confere abaixo. Ele é o primeiro brasileiro, cuja carreira começou no Brasil, a jogar na liga holandesa e nela anotar gols.

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